Category: Caracteristicas da Doença

  • Constipação Intestinal

    Constipação Intestinal

    A constipação pode preceder os sintomas motores em 15 a 20 anos no Parkinson.

    Prevalência: Estima-se que até 80% dos pacientes com Parkinson sofram de constipação em algum estágio da doença.

    Microbiota: Pesquisas de 2024 indicam que a inflamação intestinal crônica rompe a barreira hematoencefálica, facilitando a neurodegeneração.

    O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson diz:

    Recomenda-se o aumento da ingestão de líquidos e fibras.
    O aumento da prática do exercício físico pode ser benéfico. Laxantes osmóticos (por exemplo, lactulose) são recomendados. Considerar diminuição de dose ou interrupção de uso de medicamento anticolinérgico.

    Por que a LACTULOSE?

    A lactulose é um açúcar não absorvível pelo corpo humano. Ela chega ao intestino grosso intacta e “puxa” água para dentro do cólon.

    • Efeito: Aumenta o volume das fezes e as amolece, facilitando o peristaltismo (movimento intestinal) que está lentificado no Parkinson devido à degeneração dos neurônios entéricos.
    • Vantagem: Pode ser usada a longo prazo sob orientação médica, sem “viciar” o intestino.

    Embora seja mais usado em casos de encefalopatia hepática, a capacidade da lactulose de reduzir os níveis de amônia no sangue é um benefício colateral importante para manter o ambiente sistêmico mais limpo e menos tóxico para os neurônios.

    (http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Lactulose)

    1. A Hipótese de Braak (O Início de Tudo)

    Esta pesquisa revolucionou a neurologia ao sugerir que o Parkinson não começa no cérebro. Braak demonstrou que agregados de proteína (alfa-sinucleína) aparecem primeiro no sistema nervoso entérico (intestino) e no bulbo olfatório, “viajando” até o cérebro através do nervo vago.

    Referência ABNT:

    BRAAK, Heiko et al. Staging of brain pathology related to sporadic Parkinson’s disease. Neurobiology of Aging, [S. l.], v. 24, n. 2, p. 197-211, mar./abr. 2003. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12498954/


    2. A Bactéria Desulfovibrio e a Causa Ambiental

    Este estudo recente é fundamental para a sua seção de “Causas”. Pesquisadores finlandeses conseguiram demonstrar que cepas da bactéria Desulfovibrio, comuns em ambientes com desequilíbrio da microbiota, são capazes de induzir a agregação da proteína alfa-sinucleína, sugerindo que o Parkinson pode ter um gatilho bacteriano intestinal.

    Referência ABNT:

    MURROS, Vy A. et al. Desulfovibrio bacteria are associated with Parkinson’s disease. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, [S. l.], v. 13, p. 1-10, maio 2023.https://www.frontiersin.org/journals/cellular-and-infection-microbiology/articles/10.3389/fcimb.2021.652617/full


    3. Transplante de Microbiota Fecal (TMF)

    Este é o estudo mais citado em 2024 quando o assunto é tratamento experimental. Ele comprovou que a alteração direta da flora intestinal pode reduzir a rigidez e melhorar a mobilidade de pacientes com Parkinson, validando o intestino como um alvo terapêutico real.

    Referência ABNT:

    BRUGGEMAN, Arnout et al. Safety and efficacy of fecal microbiota transplantation in Parkinson’s disease: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. eClinicalMedicine (The Lancet), [S. l.], v. 69, n. 102465, abr. 2024. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38686220/


    4. O Papel dos Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC)

    Sampson e sua equipe demonstraram que os subprodutos da fermentação das fibras pelas bactérias intestinais (como o butirato) regulam a ativação das células de defesa do cérebro (microglia). Quando o intestino está doente, essas células inflamam o cérebro, acelerando o Parkinson.

    Referência ABNT:

    SAMPSON, Timothy R. et al. Gut Microbiota Regulate Motor Deficits and Neuroinflammation in a Model of Parkinson’s Disease. Cell, [S. l.], v. 167, n. 6, p. 1469-1480, dez. 2016. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27912057/

    Referências Bibliográficas (ABNT)

    1. Protocolo do Ministério da Saúde:

    BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson. Brasília: CONITEC, 2017 (atualizado em 2022). Disponível em:. Acesso em: 11 mar. 2026. https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/pcdt-doenca-de-parkinson

  • O que é Parkinson

    O que é Parkinson

    A Doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa, crônica e progressiva do Sistema Nervoso Central. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, superada apenas pelo Alzheimer.

    Academicamente, ela é definida pela tríade de sinais motores clássicos: tremor de repouso, bradicinesia (lentidão de movimentos) e rigidez muscular.

    1. Fisiopatologia: O que ocorre no cérebro?

    A doença se caracteriza pela morte progressiva de neurônios em uma região profunda do cérebro chamada substância negra (localizada nos núcleos da base).

    • Falta de Dopamina: Esses neurônios são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos finos, coordenação e equilíbrio.
    • Corpos de Lewy: Uma marca histológica da doença é o acúmulo da proteína alfa-sinucleína, que forma agregados conhecidos como Corpos de Lewy, danificando as funções celulares.

    Motores (Mais conhecidos)

    Tremor de repouso: Geralmente assimétrico (começa em um lado).

    Bradicinesia:
    Lentidão para iniciar e executar movimentos.

    Rigidez em “roda dentada”: Resistência muscular ao movimento.

    Instabilidade Postural: Tendência a quedas e postura encurvada.
    Não Motores (Muitas vezes precoces)

    Hiposmia: Perda ou redução do olfato.

    Distúrbios do Sono: Pesadelos vívidos ou insônia.

    Disfunções Autonômicas: Constipação intestinal e tontura ao levantar.

    Alterações de Humor: Depressão e ansiedade.

    Referências Bibliográficas (ABNT)

    Protocolo do Ministério da Saúde:

    BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson. Brasília: CONITEC, 2017 (atualizado em 2022). Disponível em:. Acesso em: 11 mar. 2026.

    2. Manual MSD (Versão para o Público):

    BENBADIS, Selim R. Doença de Parkinson (DP). Manual MSD: Versão para a Família, 2023. Disponível em:. Acesso em: 11 mar. 2026.