Categoria: Tratamento Tecnológicos

  • Deep Brain Stimulation (DPS)

    Deep Brain Stimulation (DPS)

    A Estimulação Cerebral Profunda (DBS, do inglês Deep Brain Stimulation) é considerada hoje um dos maiores avanços no tratamento de sintomas motores do Parkinson, especialmente para pacientes que já não respondem tão bem apenas aos medicamentos (como a Levodopa).

    O Que é e Como Funciona?

    O DBS funciona como um “marcapasso cerebral”. O sistema é composto por três partes principais:

    1. Eletrodos: Pequenos fios implantados em áreas específicas do cérebro (geralmente o núcleo subtalâmico ou o globo pálido interno).
    2. Gerador (Neuroestimulador): Um dispositivo colocado sob a pele, logo abaixo da clavícula, que envia os impulsos elétricos.
    3. Extensões: Fios que conectam o eletrodo ao gerador por baixo da pele.

    O objetivo não é destruir o tecido cerebral, mas sim modular os sinais elétricos anormais que causam os tremores, a rigidez e a lentidão dos movimentos (bradicinesia).

    Principais Benefícios

    • Redução de Medicamentos: Muitos pacientes conseguem reduzir drasticamente a dose de Levodopa, o que diminui os efeitos colaterais.
    • Controle de Discinesias: É excelente para eliminar os movimentos involuntários causados pelo uso prolongado de remédios.
    • Aumento do Tempo “On”: Proporciona mais horas do dia com mobilidade estável, evitando as oscilações bruscas entre estar “travado” e estar “solto”.
    • Reversibilidade: Diferente de cirurgias antigas, o DBS pode ser desligado ou removido, e a programação dos estímulos é ajustável via controle remoto pelo médico.

    Quem é o Candidato Ideal?

    Nem todo paciente com Parkinson deve fazer o DBS. Geralmente, ele é indicado para:

    • Pacientes que têm a doença há pelo menos 4 ou 5 anos.
    • Pessoas que respondem bem à Levodopa, mas sofrem com o efeito wearing-off (o remédio para de fazer efeito antes da próxima dose).
    • Pacientes que não possuem comprometimento cognitivo grave ou demência.
    • Casos em que o tremor é incapacitante e não cede com medicação.

    O Papel da Tecnologia e IA

    Atualmente, já existem sistemas de DBS de “circuito fechado” (ou Sensing). Esses aparelhos não apenas estimulam, mas também “leem” a atividade elétrica do cérebro do paciente em tempo real, permitindo que o médico ajuste a terapia com base em dados concretos coletados pelo próprio dispositivo durante o dia a dia do paciente.

    “Novo sistema de circuito fechado ajusta automaticamente a terapia de estimulação cerebral profunda (DBS) à atividade cerebral individual em tempo real; o maior lançamento comercial de tecnologia de interface cérebro-computador da história.” Medtronic, 2025

    Pontos Importantes

    Nota de Realidade: O DBS não cura o Parkinson e não interrompe a progressão da doença. Ele é um tratamento para o controle de sintomas, melhorando significativamente a qualidade de vida. Ele também costuma ser menos eficaz para sintomas como problemas de equilíbrio, fala e deglutição.

    Consulte seu médico!!

    Fontes:

    FDA (EUA) – Agência Reguladora

    A aprovação do DBS pela FDA é um processo contínuo de inovação. O link abaixo detalha a aprovação mais recente (Fevereiro de 2025) da tecnologia DBS Adaptativo, o marco mais atual da área:

    AAN (American Academy of Neurology)

    A AAN é uma das maiores autoridades científicas do mundo. Eles fornecem guias práticos tanto para médicos quanto para pacientes:

    MDS (International Parkinson and Movement Disorder Society)

    A MDS é a principal autoridade global no estabelecimento de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para distúrbios do movimento. O documento em questão representa um consenso internacional de especialistas, elaborado pelo grupo de trabalho de neurocirurgia funcional, que define critérios objetivos e evidências científicas para a indicação cirúrgica de Estimulação Cerebral Profunda (DBS). Este guia é a referência padrão para neurologistas decidirem o momento ideal de encaminhamento do paciente, visando maximizar os benefícios motores e a qualidade de vida.

    Link: https://www.nature.com/articles/s41531-025-01241-3.

    SAFARPOUR, D. et al. Consensus expert recommendations for referral of Parkinson’s disease patients for deep brain stimulation surgery. NPJ Parkinson’s Disease, [s. l.], v. 12, n. 1, p. 30, 3 jan. 2026. DOI: 10.1038/s41531-025-01241-3. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41531-025-01241-3. Acesso em: 13 mar. 2026.

  • Estimulação cerebral profunda na doença de Parkinson – Artigo 2026

    Introdução: A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa; sua progressão clínica é inexorável e imprevisível, e alguns pacientes são gravemente afetados após o início da doença, apresentando incapacidade em idade precoce. O tratamento medicamentoso permanece a abordagem de primeira linha para pacientes diagnosticados com a doença, mas, à medida que a doença progride, a busca e a seleção de novas alternativas de tratamento, como a Estimulação Cerebral Profunda (ECP), tornam-se necessárias. O objetivo deste estudo é fornecer uma revisão atualizada sobre o uso e os resultados da ECP em pacientes com DP.

    Desenvolvimento: Foi realizada uma revisão da literatura utilizando diversas bases de dados, resultando em mais de 35 artigos em espanhol e inglês relacionados ao uso da ECP na DP, bem como à sua eficácia e segurança. A maioria foi publicada de 2020 até o presente. A ECP vem sendo desenvolvida desde a década de 1990 e se consolidou como uma alternativa para melhorar os sintomas motores da doença, sendo realizada por uma equipe multidisciplinar. Os alvos mais comumente utilizados são o núcleo subtalâmico e o globo pálido interno, que podem ser estimulados eletricamente de forma unilateral ou bilateral. A programação da estimulação é individualizada e contribui para a melhora do estado neurológico e da qualidade de vida dos pacientes; na maioria dos casos, auxilia na redução significativa da medicação antiparkinsoniana. Em alguns casos, elimina as discinesias resultantes do uso crônico de levodopa. As complicações e os efeitos adversos são mínimos.

    Conclusões: Publicações recentes concordam que a estimulação cerebral profunda (ECP) para o tratamento da doença de Parkinson avançada é um procedimento seguro e eficaz para o controle das complicações motoras da doença.

    Referência Bibliográfica:

    SANTOS, G. S. dos; LIMA, N. M. de; SOUZA, R. S. de. Suplementação de vitaminas do complexo B e níveis de homocisteína em pacientes com doença de Parkinson em uso de levodopa: uma revisão sistemática. Revista Científica de Enfermagem, [S. l.], v. 14, n. 45, p. 115-125, 2024. Disponível em:https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=10618761. Acesso em: 11 mar. 2026.